Esta noite, meu amor,
a partir de agora, vamos inventar o sempre que se demora.
Brande a espada como outrora, eu afio as setas e viso-te da minha janela.
Vem agudizar-me a espera. Pela calada da noite, abres o mistério do meu corpo e entornas sobre mim a água do teu coração.
Somos dois arcos e esferas. Rodeamos o diâmetro da pele,
roçamos a palavra funda e sincera.
Eu direi o teu nome e acendo o brilho dos teus olhos. Mergulho neles de corpo e mãos e absorvo a tua graça, o teu sorriso, o teu odor,
e é na tua pele que me desfaço em água pura dos meus ossos.
Amas-me e desapareces. Fico de seta em punho e chamo-te já para a véspera do meu leito. Onde me deleito e me desdobro para ti.
Com amor e paixão num abraço azul sem fim.
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