Meu amor pequenino, menino dos meus olhos e das minhas rendas e rendinhas, meu amor, meu lume vespertino,
Tenho as minhas gavetas a transbordar de amor, expresso em momentos de vida e de vivências várias que te partilhei. Momentos interiores, perceptíveis por mais ninguém.
Meu amor, as minhas cartas são voláteis e vão para ti. Algumas são como um campo fresco de alecrim.
Outras são searas pacíficas picadas pelos pardais.
São suaves, sanguinárias, sensuais ou cheias de linhas tolas, como velhas alimárias.
Mas crescemos com elas, envelhecemos nelas, revestimos a pele com a sua tinta e hoje, somos um livro de amor, uma velha telefonia que emite ondas do passado.
Vivo do que ouço no teu rosto e vejo na tua voz. Podes encher as gavetas, mais e mais de verbos de amor.
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