Há fragmentos caídos pela casa.
Peças de vidro, contas, restos de vitrais. Com elas faria um quadro, um colar, coisas inúteis que só enganam os olhos.
Até um livro com palavras fragmentadas flutua pela casa.
Ando para entender esta fragmentação das palavras.
O certo é que são elas e não as pequenas peças de um todo absolutamente material que antes foi coeso, são elas que, juntas, trazem
o calor de março, a luz de uma casa caiada, a voz quente do amor e o amor como corpo do corpo fragmentado.
São essas palavras que moldam as ideias de ternura, doçura, suavidade daquele que constrói o barco, o baloiço e põe a manta, apõe as mãos, os lábios e deixa os passos.
Com essas palavras fragmentadas, que vejo por todo o lado, construo a serenidade que me falta. E consigo oferecer o meu colar de vidro fragmentado em sinal de devoção por aquele que sei ser o meu amor, amigo e amado.
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