Lua cheia, Lua bolacha, Lua queijo, Lua cara, hemisfério superior do desejo, a Lua é mulher.
Companheira do céu,
ninfa vigilante de Zeus
serva de Vénus no amor,
a Lua ora é nova, ora é velha,
ora se expõe, ora se oculta, ora viaja, ora flui.
Os antigos falavam com a Lua. 🌒
Ela dizia-lhes da chuva e das marés do mar. Embarcavam na lua cheia e a Lua nova era para atacar. A coberto da Lua caíram espadas e mistérios. A Lua inconstante é perversa e é mulher.
Os homens amarravam a Lua no quintal, contavam o tempo da estação. Em doze luas a seara a crescer, em quatro luas o amor a chegar, em nove luas a gestação se dará e o amor, de novo, far-se-á.
Quando ela chega
magnética e fatal, desenhamos destinos, sonhamos serras, um leito de amor, um banho lunar. A Lua faz lunáticos, que apenas desejam alunar nos seus desejos.
E a Lua, silenciosa senhora, sabe quantos beijos foram dados sob o seu rosto e quantos ficaram por dar.
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