21.5.21

Poema de amor

O poema de amor pode surgir entre o sono intermitente, com a mesma timidez do pintainho, certo de que vai rasgar a noite de uma casca muito delicada

Quando surge, o poema desenha a curva assética do sobressalto, um relógio de súbito ativo no coração acabado de chegar

O poema cresce numa cratera lisa onde o fogo vivo se nutre da solidão.

Depois, eclode e é sereno e súbito como uma avalanche a chegar: no silêncio, as palavras sólidas, dispersas, caem sobre a encosta e desenham corações de neve a sangrar nas pedras. Ou pedras a nevar no coração

Nunca se sabe como cresce e cai um poema de amor, entre a vontade de ferir e a de sarar, a de dar tudo ou só a mão

Sem comentários:

Enviar um comentário

Deixa aqui um lírio

Recentemente...

Assersões

Uma onda é a resposta a outra, como um eco é a resposta a outro A atração, dois ecos que se encontram e se unem no mesmo som E o amor? Ah, o...

Mensagens populares neste blogue