Há quem tenha laços de pertença a um clube ou a um bairro, ou seja ao que for, e por isso mesmo, há identidades diversas no vasto laranjal do mundo. Gosto das pessoas que são alguma coisa, claramente homens e mulheres da comunidade ou da corporação , seres muito sociais e amados. Eu tenho pena de não ser nenhuma dessas coisas. As minhas ligações são associações ocasionais e dispersas com determinada arte, determinado grupo, mas não me lembro de ter plantado uma árvore em nenhum desses sítios. As coisas passam por mim, exatamente como casas num comboio e eu alcanço o que posso, mas nunca me consegui agarrar. Tenho pena de ser do mundo sem estar em nenhum mundo. Construí o meu como um abrigo enorme, onde cabe muita gente, mas de tão imenso ninguém se quer perder lá dentro. Nem eu que sou apenas uma pessoa entre tantas com passos perdidos no coração e nenhuma convicção convincente.
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