Aceitamos tudo, dizes, como aceitamos tudo? Entardeceu-nos a revolta, o sangue quente, embranqueceu o cabelo e o olhar, esbatemos tudo na ara de um sorriso triste. Será isso a antecâmara do tempo, o fim do prazo, um prazo para tudo, até para deixar de brasonar? Como é que aceitamos tudo? Como não corremos tresloucados para o amor, como nos privamos do amor, talvez a única dívida que temos sem prazo de validade. O amor, sim, eterna insaciedade, como aceitamos a ausência, a saudade, a deplorável distância? Ainda hoje me senti atraente, atraída, rebelde, levemente leve como bolha de água mineral. Hei de continuar a eclodir como um girassol fora de tempo, disse. Mas depois, aceitei a noite nos seus loucos intervalos. Sem gente.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Recentemente...
Preciso de aprender a chegar, porque agora só sei não ir. Se não vou, como chego? Sente o amor que puderes pelos seres viventes, que eu desc...
Mensagens populares neste blogue
-
Ele costuma escrever-lhe cartas riscadas como vinil, cartas sem nome, curtas e voláteis, mas ela lia claramente o som da voz, a saudade da...
-
Entre montanhas planeio voos e plano sobretudo o lugar da ilha A vida existe mesmo que a não queira. Mesmo que a chame e a submeta aos pés d...
-
Comecei a desaparecer suavemente, com a mesma anónima entrada que fiz no mundo Vi com estes olhos a ruína do mundo, o mover de lodos e areia...
Sem comentários:
Enviar um comentário
Deixa aqui um lírio