1.7.24

Quem sou

Eu gostava de ser outra e ter a graça da garça e o papaguear do papagaio. Gente haveria que me queria para amar, como se ama um louco que perdeu a idade. Seria suave como um chorão sem chegar a chorar. A brisa seria o brejo de todos os deleites e sem qualquer esforço eu conseguia voar.

Mas não sou outra e quem sou é pedra calcinada ou uma espécie de sargaço que o sol castigou. 

E não quero mais metáforas tontas nos meus versos. Pronto. É assim que sou. A desejar o que não sou.


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