31.8.26

A trovoada

Já há várias noites em que o céu ruge em explosões de energia contida. Trovoadas espanholas, secas, daquelas que nos inquietam e nos prolongam nos mistérios do universo. É um rumor constante que alastra pelo mundo sem romper. Devem cair raios nos arvoredos, nas torres do mar. Feitas as contas, está mesmo sobre nós, mas somos seres abrigados, não nos sentimos alvos.

Clamamos por alívio, chuva. Nada. Tenho medo que a noite seca me entre nos sonhos e me amortalhe a consciência. É um inferno dantesco feito de choques de nuvens de energia que, mesmo no nosso abrigo, nos acordam o medo promevo dos primeiros homens, o medo instintivo dos animais e suas crias, afinal, como dizia o poeta, somos bichos da terra e nunca como numa trovoada nos sentimos tão pequenos.

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