12.8.26

Ao diabo a guerra

Fragatas, freios, ferragem, ferrugem, mundo este que já farta e nos afunda

Fragatas por traineiras e, para a fome do povo, de que servem as bandeiras?

Estes petroleiros armados que cruzam os oceanos com fogo nas trincheiras, e a inteligência das máquinas soberana e traiçoeira

Tanques em vez de ambulâncias, debulhadoras, ceifeiras. À míngua de paz morrem os povos e a guerra enche a carteira

Submarinas léguas para nenhum rumo...

E são cargueiros em vez de carga, aquela carga de luz, onde os lumes são escassos, o rei é rico e vai nu

E para quê o ferro, o aço, a bala, a química impura, 

Ante os luminosos olhos dos infantes que vão um dia morrer na arena de uma guerra nunca sua

Mas vão alistados por penúria, por medo e desventura.

Ao diabo a pátria que cobiça, a pátria que se encarniça com

Fragatas, freios, ferragem, fúria infinita, mundo este que nos fere e nos faminta

Ao diabo a bélica brisa de morte que nos pisa

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