6.8.26

Horizontes

Há palavras sem música, grosseiramente vestidas de cacafonias, sílabas duras que se juntam a outras. É tudo uma questão de vogais e consoantes. Ou se harmonizam entre si ou se obliteram e desalinham na pauta sonora, como dentes nascidos fora do lugar.

Aquilo que é ubíquo ou oblíquo, enferma desta dolorosa gravidade esdrúxula latina. São palavras indignas de um texto com pretensões líricas. 

Mesmo assim tenho de usá-las, numa única frase que seja a expressão de um sentimento digno da arte:

O amor é um ser ubíquo, mesmo que oblíqua seja a sua voz.

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