4.7.11

hoje foi dia de não fazer nada, numa roda viva sob o sol e sob o vento. nada, nada, nada. e às vezes é do nada, do nada mais absoluto que precisamos. isso acontece quando passamos tempo demais sem viver. nada, ofuscados pelo trabalho sem tréguas. pelo meio, deixamos florir timidamente uma vida por delegação, por adivinhação do outro. (também gosto). mas amanhã recomeça o trabalho. e sabes? vou estar sempre com o pensamento a voar para ti. tudo muito fugaz e muito trémulo. ainda não consegui mergulhar no teu olhar. não há poesia nos dias em que não mergulho o meu olhar no teu. diz-me o que sentes quando o tempo se alça para dentro e páras, sem nada para dizer. sem brilho nos olhos. diz-me se tens o tempo todo apaziguado. se também tens dias de não fazer nada, nada, nada e se és feliz. ou se andas numa roda viva ao vento com o brilho do sol atrás das janelas. diz-me se a luz da noite a tens sempre acesa para mim. mas diz-me. antes que o vento nos arraste a voz e o sonho para mais longe. recebe na noite o sopro forte da natureza que nos une. é o diálogo das nossas vozes cruzadas. a lume.

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