Sabes quanto gosto de retas e de figuras planas, assim espalmadas como estradas sempiternas. Gosto de paralelas, aquelas que nos viajam. Gosto de curvas, as tuas, aquelas com que me driblas para não te achar. Agrada-me esse mistério que fingimos existir. Meu amor, eu sei-te e tu sabes-me melhor. O nosso percurso poderia ter sido a estrada a direito como eu gosto. Mas não. As curvas que dobramos a ferro fundido levaram-nos a um mundo único, vivo e comprido. O mundo em que te acho, tangencial a mim, sem que te chegue, sem que te alcance, sem te prender a mim um bocadinho, só um instante de puro amor, os lábios apertadamente dentro e nos olhos o mais emocionado sorriso.
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