Ouvindo a chuva no telhado, palpando bem a solidão, pergunto-me: se não fosse esta trovoada seca que aí vem, se não sentisse inusitados medos, sentiria esta falta profunda dos teus dedos? A tua mão, se me tocasse, quantas cordas tocaria? Dá que pensar o desvario de regressar uma e outra vez ao teu amor, como se existisse. Este medo primitivo de não haver nada mais além de mim, ninguém mais além de ti.
1.5.25
29.4.25
A raiz
Nada. Não tenho nada. Saltei tantos ribeiros que cheguei de olhos cheios à terra seca
Fui como a água de um lago quente, doce e limpa. Depois derramei-me sem rumo, à espera
À espera de algo que, afinal, só podia estar na raiz mais funda de mim
Pouco posso dar, perdido que foi o momento certo, o tempo em que dar era a espinha dorsal do meu ser
Agora só quero receber. Seja o que for. Aceito sorrisos e piscadelas de olhos, aceito desafios e corridas para ver quem chega primeiro, aceito os anos e os erros dos outros, aceito maratonas de séries negras e marés inesperadas no olhar
Mas saberei dar? Sim, o olhar sereno de quem se aceita assim, enfim nua como sou. A raiz sólida que prende a terra com sede de a possuir
25.4.25
Charada
Quando meto a marcha à ré, nunca sei se devo olhar para trás se para a frente. A medição das distâncias, muitas vezes, não depende dos olhos, mas da visão que se tem da manobra. Tal e qual como o coração que não distingue as dimensões do tempo, quando no passado vê o futuro, o que é sempre melhor do que ver no futuro apenas o passado.
23.4.25
Sombras de Luz
Esta noite não há vento. Os meus dentes não rangem, o meu corpo solto no universo tangencial
E os meus pensamentos presos saem por aí, atraídos pela imponderável ideia de ti
Mas, então, encontro-te.
Não há vento, nem gente a ranger os dentes, por causa de um demorado inverno, o preço das coisas ou algo assim. Só nós.
Respiramos a dor passada mas somos tinta e pintamos ao som da noite as sombras de luz mais belas que já vi
Somos os sultões do swing, os reis do mambo, os loucos do tango, tangente e ininterrupto
Somos a tinta do verso impuro que escrevi.
Enquanto nos espalhamos ébrios pela música de um silêncio e dançamos mudos, assim.
Apetece-me viver. Viver como quem está vivo. Viver contigo, vivos como antes de o tempo nos cobrir de esquecimento. Mas não sei dançar na tua cor.
Como é que vivem os vivos quando não há vento e as árvores que somos se soltam das suas raízes?
19.4.25
Árvore oca
Andamos assim na dança, ora eu ora tu saltamos, ora eu ora tu ficamos
Desviados na volta, desavindos na vida, um rodopio de saias e de versos, de sons nítidos de dor, notas finas de uma agulha
Eu e tu somos como a árvore oca que ainda espera a primavera e as novas folhas. Que ao menos um pássaro pouse e a árvore cresce.
Não vês? Eu e tu somos apenas o rumor de uma prece, o pássaro que ainda vem cantar a morte.
15.4.25
A poesia do mundo
A poesia do mundo está no cruzamento de duas estradas, exatamente aí, onde o olhar que vê encontra a natureza.
O horror do mundo está na urbanização de gente pobre bombardeada pelos olhos que nunca viram a poesia do mundo.
Tenho pena de quem não carrega a poesia no olhar: a beleza das coisas feitas, não a entendem
Mas tenho mais pena dos que carregam sozinhos o mal do mundo, longe de toda a criação original
13.4.25
Completiva sombra
Ainda agora sempre soube que és completiva sombra do meu ser
Que vontade de celebrar orgias nos teus olhos, esses lenhos de muita dor
Pergunto o oráculo, com esfinges lisas e longas, ledas emoções
Douradas mãos condutoras de luz
Quando as senti no meu rosto, assim? Com cidades cruas entre nós, fogo de um lago alagado de pus
Sem que claramente soubesse, eu, serenamente, me fui
Mas, porém e ainda, que vontade de encenar contigo a palavra que seduz
15.3.25
Som /S/
Sabes o sangue? A seda, sudário, sedução e sede
Sabes a semente, sémula, sépia na pele
unção e neve se o solo cede
Sabes o sono, silva, salva, sonho deserto
paixão?
Sempre será assim sagrado segredo, de sibilante silenciosa
intenção
Eu e tu e um sol cenário de separação
Se souberes o sonho e ler o sulco do semeador, o sítio surge e é apenas
Um cenário de distante dor
Seda sudário, sede, cedo sabemos o que for e o que não for
14.3.25
Com pena e penas
Há poemas com pena, muita pena, e há poemas com penas
Uns têm apenas a pena com que apenas alguém os escreve
Os outros estão cobertos das penas que dão asas
Eu gosto mais dos que voam, na lijeireza dos sons e seus nomes
Os poemas cheios de pena são vogais arrastadas pelo lodo
Pena tenho eu de quem não faz poemas
Com as penas garridas
Dos pássaros vivos das nossas vidas
8.3.25
Ábregos
Os ventos viajam por dentro de nós, são o ruído do universo nas pálidas vidraças que somos
Longe, as vagas altas fortalezas caem vorazes nos penedos com assassinos ímpetos
Resta-nos a harmonia, no reverso do tempo. Ouvimos a chuva e sabemos cadenciar os ossos, resumir o medo
Lentamente, os ábregos cedem e são só rios de silêncio o que ouvimos
As tempestades servem-nos a paz numa rajada de silêncio
Sempre foi assim no coração dos homens, essa sabedoria, esse abrigo, uma volta completa no rumo dos sonhos, um lugar onde já não somos o que fomos
15.2.25
Fabricante de Sonhos
Num sopro de luz, tu voltas, fabricante de sonhos, para me temperares um pouco a pele, um pouco a vida
Se me riscas os sentidos com a centelha que acarinhas, talvez te cruze nas palavras, outras vez desprevenida
Como se todas fossem minhas
14.2.25
Epitáfio recomendado
Comecei a desaparecer suavemente, com a mesma anónima entrada que fiz no mundo
Vi com estes olhos a ruína do mundo, o mover de lodos e areias e fechei a porta a todos
Fui com sinceridade falsa e falsa fui comigo, ao mentir o que digo e mesmo o que não digo
Esperei demais por quem não vinha e quem veio não me encontrou
Foi pena. Há vidas que se perdem num horizonte de saída
Para a longínqua névoa nunca cumprida
2.10.24
Ângulos
Escuta
Esta noite é mais aguda.
Alguns cães ainda ladram à passagem da nossa sombra.
Eu estou sentada no eixo duma escuridão sem nome. Tu recitas versos de luz e eu acendo os olhos cansados.
A noite é aguda, como sabes. Há ângulos que desconhecemos.
Por exemplo, esta pode ser uma noite de cometas e prodígios, estrelas cadentes risonhas com um laço azul na Lua.
Ou pode ser apenas um ângulo equilátero em que todos os lados estão previsivelmente certos e tu estás longe e eu estou perto ou o inverso, mas estamos os dois igualmente distantes.
E sós.
Deixo-te um nó na garganta para desatares, se quiseres, deixo-te pontas para atares a tua vida à vida, o ângulo mais congruente da existência humana.
Deixo-te o fino sopro da minha voz.
15.9.24
Lua amada
Viver perto do outro
Quando ganhamos idade, aí umas seis dezenas de anos, temos a mão cheia de sentimentos doces e pacatos
Como a fruta fora de tempo, o sumo é feito da luz que nos crestou
Já não vivemos o amor, aquele que nos dilacera o coração, mas começamos a pensar que amar é exatamente chegar longe e viver perto um do outro
4.9.24
Resta-me a vida
29.8.24
Asas de Amar
Todo o amor esvoaça, primeiro tenta, descobre-se e depois voa
Ai daquele que nunca caiu do alto de um amor, para voltar a esvoaçar na mesma direção
Os amores-perfeitos são aqueles que, mesmo sem tempo, se deixam verter no tempo
Porque é sabido que amar no mundo é perder as asas de amar
E o mundo não sabe nada. Os que guardam o tempo - os amantes sem tempo, sim
28.8.24
Retenção
Pois foste, foste sempre assim:
Frágil, frugral e feiticeira
Sempre nos outros o que (só) achas em ti
O que só se abre em ti
Deste alento e energia, deste a alma, deste o corpo
Deste o teu sangue e sangraste até ao fim
Passou o tempo e voltou a passar
E tu deste, deste, continuas a dar essa pálida energia (que agora reténs)
Esvaziaste o peito, palavra a palavra, até o silêncio apenas te servir
Agora queres apenas salvar, reter alguma coisa, poupar a febre, o fogo, a fala
Algo teu que encha o silêncio, a frugalidade ímpar de estares simples e só, sem chegar nem partir
Porque a peregrinação começou fora e acabou dentro e a solidão é um pátio limpo com magnólias a florir
22.8.24
Duas palavras
Dá-me duas palavras, apenas duas. Com elas rasgo as pedras do nosso altar adormecido
Dá-me outro sentido à viagem por amor, em marcha à proa, passaporte anímico no bolso da imaginação
Duas palavras servem para me dares jubilosa voz
E, assim, só te peço que sejas matéria viva dos meus sonhos - podes vir - reconhecerei o anil da tua luz
21.8.24
Lágrima e sal
mas se me mostrares de novo a beleza do mundo, eu poderei, talvez, voar
uma palavra tua e farei das estrelas o lugar
em barro modelo o teu corpo, nasço de novo a tua carne
tu que me intercedes, tu que me devolves, tu que conténs o tempo e a pele
se quiseres, afogo o coração e solto a tua alma no mar, onde seremos, por fim, lágrima e sal
20.8.24
Improbabilidade
as coisas mais improváveis acontecem em todo o lado, mas raramente a mim
porém, hoje percebi que estou presa e livre num universo sem ti
a mais improvável razão de viver é esta coisa paradoxal de querer e não querer mendigar o que julgamos ter
poderia dar-se o caso provável e imperioso de me deixares partir
pois que me habita esta ideia improvável de amar o universo mais abstrato e distante de ti
Perigeu
Há muita chama que não se vê, por exemplo, o rubor da Lua e o fundo dos teus olhos quando se acendem para mim
Perigosamente perto, queimo óleos e ilusões, deixo arder, deixa ver, deixa ver
19.8.24
Lua Azul
Em quantas noites nuas se escreve o amor e
Em quantas luas se reflete o azul do mar e
Em quanto mar se mira a lua nestas noites de sonhar?
Em quantas mais palavras direi ainda a paixão de viver?
Com quantas rimas e espinhos te espalharei mais rosas pelo caminho?
A urgência lenta de dizer desta agonia do tempo
E na tua ausência perto, quanto mais brilhará na sombra, a lua azul de sempre?
12.8.24
Em todos os sentidos
Quando achares a beleza, pára o teu coração e não faças mais nada. Deixa-te morrer por momentos enquanto a olhas, enquanto a ouves, a bebes ou a tocas.
Eu confesso que sou caçadora de momentos. É como sentir no peito uma caixinha de música ou como sair de si para ser parte da beleza.
E, sabes, daria o meu olho miope para encontrar a beleza que só tu reúnes, em todos os sentidos.
Meu amor, tu nos meus sentidos... seria a maior beleza pelo universo consentida.
11.8.24
Namoro
Dois dedos de conversa, ele casualmente passa, como os namorados de antes, olha e confirma
Ela pura e casta, roliça e franca não se recusa
Ele gajeiro e forte, com fogo nos olhos, mira nos seios o corpo de enfusa
Na lua um ramalhete seco e algum silêncio de malha, bordados ainda a pairar nos dedos
Entre duas gargalhadas, carícias que tolhem o corpo, trepadeiras finas os dedos que passam
E como os seus olhos chamam a chama da tarde
E como ela se faz inocente, mas prega a fundo os olhos nele
Lembras, numa outra existência?
O namoro à antiga, eu e tu, à sombra das tílias, um leve roçar do braço, a saia a esvoaçar na tarde que finda
E a fina filigrama de uma carícia que arrepia
Por fim, um saboroso beijo que sela a promessa e termina o dia
8.8.24
O ato
Se fosse o peso era pesado, se fosse a pressa era só prazo, se fosse leve era leveza, se fosse fundo era pausado
Se fosse oculto era pulsão, se conversado era sentido, se combinado era sonhado, se adiado era pena, se recusado era pecado
7.8.24
Alturas
Alcançar a árvore mais alta, com o mais alto voo de águia
Ficar nela sem jamais descer aos baixios podres da terra
Guardar nas penas outras penas que um dia serão leves
Como o cair da ave sobre a neve e o seu eterno sono breve
3.8.24
Guardar-te na minha vida
"Põe-me na Líbia ardente ou na Cíntia fria" ¹
Onde nenhuma criatura humana perturbe a paz de te guardar na minha vida
Onde uma onda fresca me invada de ti imerecida
¹ Camões, Lusíadas
2.8.24
Senti
23.7.24
História Antiga
Mal de amor
Era uma igreja fresca como só os lugares de pedras milenares são
Frescas, mudas e com tempo, as pedras partem do chão
Continuam nos arcos de volta inteira, nas abóbodas completas, atentas como orelhas
E ouviram-me por certo chorar por dentro e pedir silêncio a todas as seráficas figuras de santos, anjos e curandeiras
O meu mal de amor não tem lugar nem fronteiras
Nasceu-me cedo e ficará a vida inteira
22.7.24
Árvores
Árvores caladas conjugais, clorófilas por natureza, contidas no osso forte do seu tronco
Só vejo isso e não vejo pouco
Como elas, gostava de saber que é assim que somos
Uma intemporal massa verde nascida do lodo
Luvas
Estendo a minha mão levemente enluvada
Para que tires o botão e beijes (demoradamente) as veias enlutadas deste punho
Louco por ti, forte para ti
21.7.24
Does it matter?
Is it important for you that flowers flourish
in random, so that
sun spreads fire in your silk skin
So softly that the wind
make tender curls in your hair
So tenderly
That some lost woman open her heart to the deep earth and
Pull out gold, sand, love, living imagery?
I regret to say that used to be me,
now buried in sadness in the most dry sand mill
Will you take some pain over my hair, I just have this waven hand to report alive
To the other lost people finding his path to surface where we can flee high
6.7.24
In this shirt - The Irrepresibles
Ouvir e sentir em loop.
https://youtube.com/watch?v=0wULm54X5Ao&feature=shared5.7.24
Daguerrotópico
O retrato está na parede (vazia), demasiado perfeito para ser verdade
Os retratos já são a morte a olhar-nos, a morte do rosto, a morte do momento
E depois, antes da luz havia a câmara escura e o mistério do rosto
Amamos por dentro sem a luz dos olhos, buscamos um rosto na câmara escura
Perdemo-nos quando nos encontramos, nus, cegos, dentro de uma redoma barata
Fomos atravessados por dentro num violento golpe do olhar alheio
E, assim, profanados e inseguros, ansiamos e receamos que a imagem exposta seja um perfeito daguerrótipo
4.7.24
Código
Estou a estudar a linguagem única do amor.
Um código exclusivo que nasce nos olhos, passa pela boca e termina nos lábios. Um laço de palavras e uma flor.
Poesia, vinho, riso e a música das mãos. Deve ser esta a linguagem do amor.
Dizer-me-te
A ti ainda não te disse algumas coisas. Por exemplo, sabias que sonhei contigo há duas noites?
Vinhas com a voz contida num discreto diapasão e eu com uma harpa tonta na garganta
Foi tudo tão casual como os encontros dos bichos da terra
Um toque de antenas e um choque de pôr o coração à porta do hospital
Por favor, tenho de pedir-te que não voltes aos meus sonhos sem ser para ficares a noite inteira
3.7.24
Forget it, Jake. It's Chinatown
So, you should never wait for love, baby. You live in Chinatown and I'm not there anymore. Forget it. There is no love in Chinatown, Jake.
Em memória de um grande argumentista hoje desaparecido, Robert Towne.
2.7.24
Livro da esperança
Desfolhas o livro pela mão de Cristo ou Satanás e feres a vista na laboriosa letra da esperança
Mas a fé profana o texto, com os caminhos avessos que tiveste de folhear
E a páginas tantas o livro muda e mudo fica o seu dizer
E peregrinas de novo pelo livro que terás contigo à cabeceira e lerás até ao fim
A inverdade da existência
Repara, é a morte crescente, o peso dos minutos que queres preencher
Podes iludir a existência
Mas é ela que te ilude a ti
O tempo é liso e demorado e existem tantas fugas, tantas mentiras, até ao fundo do que vês
Mas a pulsão é inversa ao que esperas viver, esperando por aquilo que virá, talvez
1.7.24
Se existes, também existo
Estou comigo e é comigo que estou. Falo-me e não digo nada. Canso-me de mim todos os dias. Exausto-me à noite.
Esta ciência da solidão pesa mais do que parece. Mede-se numa proveta de silêncios. Podemos até ficar admirados por existirmos.
Se me ouves, talvez me entendas. Se me entendes, bem podias rasgar a noite imensa subindo ao cume da voz, ao cicio do segredo.
Confirma. Eu existo porque tu existes? Eu existo mesmo que não existas?
Preciso de ti, percebes? Como a árvore espera o vento para poder alisar os ramos.
Estendendo a outra árvore os seus beijos.
Quem sou
Solidão
A espuma de uma onda a desfazer-se em bolhas, a minerar a areia
Bolhas de ar como minutos que rebentam um a um
Enquanto o relógio atarda tudo e o mundo é mudo
27.6.24
Trovoada
26.6.24
As pedras
Olha as pedras, como são sábias.
Algumas macias, outras argutas. Pedras dementes, proeminentes.
Fazem um passeio tosco ou elegante as pedras.
Fazem caminhos áridos onde só anda quem nada sente.
Pedras de arremesso, quem as esconde?
A mineralogia não é a minha ciência, mas gostava de alisar as pedras que ferem os pés do caminhante.
As pedras macias e quentes são as que procuro, no mar e na terra.
Pedras macias na minha pele, um toque doce quase afago
Essas são as pedras que eu trago
Fecho éclair
Já fui,
Tudo já foi
Mesmo o que ficou é ido
Não me busques aqui nem em qualquer lugar
Quem quer que encontres já não sou eu
Porque já fui
O que quis ser passou
Estarei em qualquer afago da brisa, na cortina que se agita, no bater síncrono dos corações resistentes
Cearas, montes e rios são doravante os meus limites
Mas fecha a porta.
Que ninguém mais se lembre que existes
24.6.24
Dísticos
Não te esforces mais pelo velho ramo da árvore podre
Se o vento a leva para longe, se ela te foge, deixa
Não alcances quem se afoga no seu próprio elemento
Tu és a árvore frondosa da manhã e a tua sombra é fresca
Não queiras o rio estreito, com margens calcinadas
Busca antes o amplo dorso da terra alta iluminada
20.6.24
Auto-retrato
não há flores a florir no meu corpo, nem ouro falso
meus dedos foram pianos mudos, meus seios serenos mudam
e os braços remos que rasam a terra, escavando, podando o mundo
trago amor no regaço, aceso e puro como um regato
em tudo o mais tenha a idade das estrelas e a precisão dos astros
mas o amor... não o acho
Recentemente...
Momentum
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